Semiologia médica
Cada termo em três registros: como o paciente diz, o que significa, como fica escrito no prontuário. Glossário, treino, anamnese e exame físico.
Como o paciente diz
No prontuário
As perguntas são geradas a partir do glossário e sorteadas a cada rodada, dando prioridade às que você ainda não viu. Todos os níveis estão abertos — cada um cobra uma habilidade diferente, e vale começar pelo que você precisa treinar.
Monte o baralho e estude aqui mesmo, ou baixe para o Anki. Evocar é mais difícil e rende mais que reconhecer: prefira as direções que pedem o termo como resposta.
A sequência da entrevista, bloco a bloco. Alterne entre o que perguntar ao paciente e como aquilo fica escrito no prontuário.
Busque um sintoma para ver as perguntas que o caracterizam.
Cada etapa com a semiotécnica, o padrão esperado no paciente hígido e a frase para verbalizar à banca. Os avisos em âmbar são as pegadinhas e os descontos mais comuns.
Radical aprendido decodifica termos que você nunca viu; termo decorado serve só para ele mesmo. Vinte elementos cobrem a maior parte da sintomatologia.
Grego e latim entraram na medicina em camadas diferentes, e às vezes os dois radicais sobreviveram. Quando dois termos parecem sinônimos suspeitos, geralmente são um duplete.
Material de estudo de semiologia médica, feito por estudante para estudantes. Reúne o glossário dos termos do interrogatório sintomatológico, um roteiro de anamnese, o exame físico segmento a segmento e ferramentas de treino.
A ideia que organiza tudo é uma só: o que trava na prática raramente é falta de conhecimento clínico. É a passagem entre dois modos de dizer a mesma coisa. O paciente diz que vai ao banheiro toda hora mas sai pouquinho; o registro pede polaciúria. Por isso cada termo aparece em três registros — como o paciente diz, o que significa e como fica escrito no prontuário — e a busca funciona nas duas direções.
Estudantes de medicina cursando semiologia. É o público para o qual cada linha foi escrita. Serve para consultar um termo no meio do estudo, montar a anamnese, treinar as frases do exame físico em voz alta e se preparar para estação prática.
Estudantes de outras áreas da saúde. A parte de tradução entre a fala do paciente e o registro clínico não é exclusiva da medicina — enfermagem, fisioterapia e fonoaudiologia enfrentam o mesmo problema. O exame físico e o roteiro de anamnese seguem a estrutura médica, então esses valem menos fora dela.
Quem já se formou e quer revisar terminologia. O glossário e o dicionário etimológico funcionam para consulta pontual.
E é honesto dizer para quem não é.
Não é para o paciente. O site explica como registrar o que a pessoa diz, não como entender o que o médico escreveu. Uma seção voltada a isso está entre os planos, mas ainda não existe.
Não substitui o livro. É material de apoio e consulta rápida. As definições são curtas por escolha; a profundidade está no Porto.
Não serve para decidir conduta. Não há doses, protocolos nem critérios diagnósticos completos, e não deve ser usado com o paciente na frente para decidir o que fazer.
Peseshet viveu no Egito do Antigo Império, na Quarta ou na Quinta Dinastia, por volta de 2500 a 2400 a.C. Tudo o que se sabe dela vem de uma única fonte: uma falsa-porta na mastaba de Akhethetep, em Gizé, escavada por Selim Hassan entre 1929 e 1930. A maior parte das leituras a identifica como mãe de Akhethetep, embora o parentesco não seja consenso.
A inscrição lhe atribui o título imy-r swnwt, geralmente traduzido como supervisora, ou diretora, das médicas. Swnw é a palavra egípcia para médico; o -t final marca o feminino. A existência do título é o dado mais interessante da inscrição: ele indica que havia médicas em número suficiente para precisarem de uma supervisora.
Ela também aparece com os títulos de conhecida do rei e de supervisora das sacerdotisas funerárias da mãe do rei — o que a situa próxima da corte.
O que não se sabe: se Peseshet exercia a medicina. O título indica que supervisionava médicas, e supervisionar não é necessariamente praticar. Também não se sabe nada da sua vida, da sua formação ou do que fazia no dia a dia. A datação varia entre a Quarta e a Quinta Dinastia conforme o autor.
Porque a história dela é, ela própria, uma lição sobre o que este site tenta fazer.
Durante quase um século, o título de primeira médica da história foi dado a outra pessoa: Merit-Ptah, citada em livros, em listas de mulheres na ciência, e até homenageada com uma cratera em Vênus. Em 2019, o pesquisador Jakub Kwiecinski mostrou que Merit-Ptah provavelmente nunca existiu — a figura teria nascido de uma confusão feita por uma autora do início do século XX, que leu sobre Peseshet e registrou o nome errado. O erro foi copiado adiante por décadas, cada cópia parecendo mais confiável que a anterior, porque agora havia muitas fontes dizendo a mesma coisa.
É exatamente assim que material de estudo circula entre alunos. O dicionário que deu origem a este projeto trazia eclâmpsia definida como pré-eclâmpsia, um critério de sepse revogado em 2016 e uma sigla anatomicamente impossível — e vinha sendo repassado assim havia anos, sem que ninguém checasse, porque já estava impresso.
Peseshet é a que estava certa embaixo do erro. Dar o nome dela ao site é um lembrete de conferir a fonte, escrever a data da revisão e deixar um caminho fácil para alguém apontar o que está errado.
Referência clínica principal: Porto, C. C. Semiologia Médica. A estrutura do interrogatório sintomatológico segue o roteiro da disciplina de Habilidades Profissionais, e o exame físico foi organizado a partir do guia de OSCE da mesma disciplina.
Sobre Peseshet, as afirmações acima se apoiam na publicação da escavação de Selim Hassan (1932), nas leituras egiptológicas do título imy-r swnwt e, quanto a Merit-Ptah, no trabalho de Kwiecinski publicado no Journal of the History of Medicine and Allied Sciences. Onde as fontes divergem, o texto diz que divergem.
Achou um erro? Escreva para tamarahabka@sempreceub.com. Correção rápida vale mais que material bonito.